Resenhas

21 de março de 2017

Resenha #15 :It Ends With Us - Colleen Hoover

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"Não existe essa coisa de pessoas ruins. Somos todos apenas pessoas 
que as vezes fazem coisas ruins."

It Ends With Us


Livro: It Ends With Us
Autora: Colleen Hoover
Páginas: 384
Sinopse: Lily nunca teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar duro para atingir os seus objetivos. Ela percorreu um longo caminho desde a pequena cidade no Maine, onde ela cresceu. Ela se formou na faculdade, mudou-se para Boston e começou seu próprio negócio. Então, quando ela sente uma faísca por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo na vida de Lily, de repente, parece quase bom demais para ser verdade. Ryle é assertivo, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e tem um fraco por Lily. E a maneira como ele fica com roupa cirúrgica não é nada mal. Lily não consegue tirá-lo da cabeça. Mas a aversão completa de Ryle a relacionamento é preocupante. Mesmo quando Lily se torna a exceção a sua regra de namoro, ela não consegue deixar de divagar sobre o motivo que fez Ryle ser como é. A medida que perguntas sobre o seu novo relacionamento invadem a sua mente, pensamentos acerca de Atlas Corrigan — seu primeiro amor e uma conexão com o passado que ela deixou para trás — também passam a dominá-la. Ele era sua alma gêmea, seu protetor. Quando Atlas de repente, reaparece, tudo o que Lily construiu com Ryle está ameaçado.






Tudo que floresce tem de ser semeado.
Tudo que floresce tem de ser plantado, cultivado, aguado, alimentado; cada tipo de planta/ser/relação tem preferências quanto a solo e sol e som e sombra; cada um cresce a seu modo, conquista seu lugar entre as raízes e trejeitos e personalidades, e com o tempo cria as próprias fundações e folhas e identidade. Utilizando-se de flores em vasos, sabendo como e quando e quantas vezes se regar, como lidar com as pequenas pragas que enfrentam todo jardim e quais adubos escolher dá para se construir um belo logradouro. Com as escolhas certas, toda semente crescerá e virará flor e fruto e possuirá características unicamente suas, carregadas do que são e de como são, e por isso serão únicas e especiais.

 Há várias plantas com mais do que apenas pétalas e caule e androceu e gineceu. A Titan Arum, conhecida como flor gigante, por exemplo, pode chegar até três metros. A vanilla dá origem à baunilha. As rosas talvez sejam mais antigas que a espécie humana. E o jasmim é uma das flores mais afrodisíacas das quais conhecemos.



Mas não é só de bons frutos que se vive um plantio.
Afinal, que rosa não tem espinhos?
Que relação não tem refração?
Que ser não tem rés, partes rasas que deveriam ser fundas, ou partes fundas que deveriam ser rasas?

O que, planta, relação ou ser, é perfeito? Alguns têm a fotossíntese, mas nada podem fazer na escuridão; outros têm a escuridão e mal entendem a pujança da luz. Planta, relação ou ser, todos encontram manchas na luminescência e luminescência nas manchas. Nada é tão oito ou oitenta, tão preto no branco, tão simples e definido. O lírio, por exemplo, é uma flor que simboliza a pureza - mas quem garante que já não fora usada para segundas intenções? Segundas intenções são pensamentos que não expressamos, mas que guiam e motivam nossas ações. Quantas flores, durante toda a existência, não foram dadas com segundas intenções? Quantas relações não foram começadas e acabadas por elas? E quantas pessoas - senão seres - não foram atingidas por suas consequências? Quantas dessas intenções foram boas e fizeram o bem? Quantas dessas intenções foram ruins e fizeram o mal?

O que é fazer coisas ruins e o que é fazer coisas boas? Esse é um discurso velho pra quem acompanha minhas resenhas, mas o ponto principal é nos perguntarmos se só pessoas ruins fazem coisas ruins ou se pessoas boas só fazem coisas boas. O ponto mais-que-principal é nos perguntarmos se as coisas boas que fazemos se sobressaem às ruins ou se é o contrário; o ponto nem-tão-principal-assim-mas-bem-pertinente é refletirmos se aceitarmos as coisas ruins só porque as boas PODEM vir depois e se fecharmos os olhos pras ruins só porque as boas são MUITO BOAS já não é ruim ou bom por si só.



Porque acomodar-se é enraizar-se. É se fixar num solo, tirar da terra e pra terra prover, é florescer e frutificar no piso que vai te sustentar até o céu, se você quiser.
Só que, às vezes, o solo não te trata do jeito que você precisa e merece, e te carece de vitaminas e nutrientes vitais e te contempla com subterfúgios inorgânicos que levitam ao vento no lugar de penetrarem suas células.

Às vezes, seu caule é fraco, ferido por antigas contusões, ou suas pétalas fracas demais; você é flor sem ser flor: você é caule podre e raiz fina e pétalas escassas e você não se mantém. Você é flor perfeita por fora mas não é flor perfeita por dentro. É flor artificial e não flor de pedúnculos e perianto e cálices e sépalas e corolas. É flor sem espinhos, é rosa sem perfume, é casca sem firmeza, é terra que cede e arrasa e destrói sem perceber.

Às vezes, você é mais que flor. É mais que humano, tamanho poder e integridade. É titã. Forte, decisivo, propenso à grandiosidades. E você cai. Você é abandonado, castigado, e é obrigado a segurar o peso do mundo sozinho, sem abrigo, sem ajuda, sem esperanças. Como lírio sem raiz. Como relação sem confiança. Como humano sem teto, sem tato, sem trato, sem contato. Você é portador e sofredor.



Esses às vezes são mais que as probabilidades de um acaso: eles são Lily e Ryle e Atlas. São mais que obras de literatura de uma autora que encontrara um padrão em seus textos - são obras da atualidade forjadas num padrão que vivemos. Um padrão de submissão e abandono e violência. Um padrão de bandido-bom-é-bandido-morto e de homem-bom-tem-salário-e-CRM. Não procuro, nesta resenha, dar respostas. Não vim para dizer quem fez certo ou errado ou quem é bom e faz coisas ruins e se as pessoas são ruins e ponto. Não escrevo pra retratar algo que vocês leram, para repetir palavras que vocês viram ou resumir enredos que vocês entenderam. Não, eu não procuro mesmo fazer essas coisas. Eu procuro dar as perguntas. Procuro dar os questionamentos de Lily e Ryle e Atlas da melhor forma que consigo àqueles que não conseguem capturá-los.

O que VOCÊ faria? O que você faria caso fosse flor sem sol, sem chuva, sem vento fresco, flor que o solo não nutre e que as pedras maltratam e mesmo assim te sustentam? O que você faria caso fosse flor figurada mas não concreta? O que você faria se fosse titã que tem como teto o mundo em seus ombros?

Não direi se acho certo o que a Lily fizera ou se Ryle era ruim ou bom e se o passado novamente teve mais peso do que deveria num livro da CoHo. O que vou dizer a seguir talvez seja o ponto mais-central-do-que-o-principal, que é o fato simples e abrangente de que você não deve ser algo QUE NÃO QUER SER. Você não deve ser flor desnutrida só para possuir sustentação, se não quiser. Você não precisa ser a flor artificial porque o passado ou a sua mente ou seus traumas não lhe permitem ser flor-FLOR. Você não precisa ser titã punido e castigado que tem nas costas o peso do mundo: você pode abraçar os céus ou deixar que cada pedacinho dele se exploda.



It Ends With Us deixou essa lição pra mim, e não deixarei que ela acabe em mim se ela pode acabar em nós: VOCÊ NÃO PRECISA SER O CUIDADOR (notem a falta de gênero proposital) QUE ENGOLE TABEFES E TOMA OFENSAS NO GUT-GUT PRA NÃO SENTIR O SABOR AMARGO E NEM UM POUCO REMEDIADOR COM O INTUITO DE DAR AO SEU FILHO O QUE ELE NECESSITA. Você não precisa ser aquele ATORMENTADO PELO PASSADO QUE DESCONTA NO PRESENTE E NÃO ENCONTRA SAÍDA. Você pode pedir ajuda. Você pode FAZER algo daquilo que te aconteceu e não SER o que te aconteceu. Você não precisa ter vergonha de ser sem teto, nem muito menos de ser abandonado - VOCÊ NÃO PRECISA SER SEM TETO E ABANDONADO. VOCÊ PODE CONSTRUIR ALGO PRA VOCÊ. VOCÊ PODE SE RECONSTRUIR.


O imediatismo é algo que sofro e que nele chafurdo, mas IEWU mostra que não devemos nos afogar nas raízes pútridas e folhas frágeis e solo infértil e partes artificiais que deveriam ser bem reais. IEWU mostra que não devemos estancar e deixar o peso do mundo fazer da gente pilares vivos de sua aglomeração de abandonos.
IEWU mostra que devemos continuar a nadar.
Não parar. Nem afundar ou afogar. NADAR.

It Ends With Us é movimento. É não deixar-se ser algo que não quer. É ser a própria terra e raiz e folhas e nutrientes. É mudar o jogo. É florescer. Frutificar. É semear sem se enganar sobre os espinhos. É sobre querer ser esterco e não cocô de vaca - um você logo vê as utilidades, as qualidades, que saiu de um ser vivo pra gerar mais ser vivo e pra transformar o rumo das coisas, boas ou ruins. O outro... é só excremento. É estagnação. É ceder. É desistir de ser quem você é e do que você pode ser. Ler IEWU faz com que queiramos nos renovar, nos remexer, não aceitar por aceitar o que o mundo nos dá. IEWU é o próprio florescimento de novas perspectivas em você. E CoHo acertou em cheio
nisso.



Postado por Layla Magalhaes

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